Eddie Vedder / Pearl Jam
Medos, raivas e paixões em fluxo constante
Como tudo começou!!!
Edward Louis Severson III
nasceu em 1964 na cidade de Chicago, Illinois. Filho de pais separados cresceu acreditando que era filho de um homem que, afinal, era seu padrasto. Apenas na
adolescência descobriu quem era o seu verdadeiro progenitor, que por essa
altura já tinha falecido. O período conturbado fez com que o vocalista se
refugiasse na música e no surf. E foi provavelmente nessa altura que se definiu
uma personalidade intrigante que motivou tantos seguidores anos depois.
Autor de letras emocionais e
performances enérgicas em palco, Eddie Vedder conseguiu tocar no
coração e espírito de milhões de pessoas através de uma postura autêntica e
despretensiosa, que marca de forma indelével o repertório do Pearl Jam e
do cantor nos discos solo que já editou. A revista Rolling Stone afirmou
uma vez que Eddie Vedder impactou tanta gente porque deu voz aos
medos, raivas e paixões de uma geração. Felizmente foi muito mais além do que
isso e durante mais de 20 anos de carreira conseguiu sempre trazer alguma luz
dentro da escuridão para várias gerações através de músicas que não são de todo
depressivas, nem angustiadas, mas que foram catalogadas como tal.
O Pearl Jam têm
realmente alguma escuridão na sua gênese e em muitos dos seus temas, tal
como Eddie Vedder tem um passado familiar pesado com o qual lidou
abertamente através da música. A banda nasceu das cinzas dos Mother Love
Bone, cujo vocalista era Andrew Wood, que morreu de overdose de heroína em
1990, após o lançamento de um muito promissor disco de estreia,
intitulado Apple. Os músicos que mais tarde formariam o Pearl Jam, o
guitarrista Stone Gossard e o baixista Jeff Ament, ambos ficaram devastados
com a perda do cantor, ele era muito influenciado pela cultura excêntrica dos anos 80, dizem eles.
Na verdade, para cada um dos
músicos foi também um sério revés na carreira, que teria de começar do zero
novamente com outras pessoas. A história da entrada de Eddie Vedder no Pearl
Jam é bem conhecida, com a famosa fita cassete onde gravou a sua
voz por cima de músicas que mais tarde seriam conhecidas
como Alive, Once e Footsteps. Não é nenhum exagero afirmar que
depois da tragédia vivida pelos Mother Love Bone, Eddie Vedder foi
um sopro de luz para os outros elementos da banda. Mas o que sempre realçou era as opostas personalidades de Andrew Wood e Eddie
Vedder. Na verdade, não podiam ser mais diferentes na voz, postura e nível de
excentricidade.
O fato de Ten (o
primeiro disco dos Pearl Jam) ter sido gravado em simultâneo com o
disco-homenagem a Andrew Wood, intitulado Temple of The Dog, imprimiu
uma conotação espiritual muito marcada a ambos os discos e foi bastante
influente para Eddie Vedder em toda a sua carreira.
O projeto Temple of
The Dog era na verdade um super-grupo criado por Chris Cornell e Matt
Cameron (vocalista e baterista dos Soundgarden respectivamente) em
parceria com Stone Gossard, Mike McCready e Jeff Ament (os
2 guitarristas e baixista do Pearl Jam) exclusivamente para
homenagear Andrew Wood. Eddie Vedder assumiu o papel de
co-vocalista, mas sobretudo vivenciou com os restantes elementos para a expiação dos
sentimentos profundos e dramáticos que viviam na época através da música. Existem muitos pontos de
união entre os dois discos. Primeiro, a sonoridade destes dois álbuns é
bastante idêntico: partilham o produtor Rick Parashar, as gravações
aconteceram no mesmo estúdio e com os mesmos instrumentos. Segundo, são ambos
registros da celebração da vida através da música, que marcou toda a carreira
do Pearl Jam e Eddie Vedder. E existe uma espécie de beleza
luminosa nas canções dos dois discos, mesmo abordando problemas difíceis como a
morte devido ao abuso de drogas, suicídio adolescente ou a vida dos sem-abrigo,
como é caso do tema Even Flow.
Quem é Eddie Vedder??
Podemos dizer que é uma figura de contrastes que
venera Neil Young, The Who e The Ramones, enfrentou lutas
emblemáticas além da música. É alguém que ganhou poder devido ao estatos que
alcançou e quando entendeu (demorou uns anos) como usar esse poder tentou
contribuir para ir alterando o mundo à sua volta.
Existem várias fases
distintas que marcam a carreira de Eddie Vedder. Após os primeiros anos em
que se tornou uma personagem controversa, amado e odiado por muitos, o
vocalista foi mudando, embora mantendo a integridade artística (seja lá o que
isso for). Apreciador de um bom vinho (de preferência muito!), Eddie
Vedder é para mim uma espécie de beatnick moderno em pele de rocker
surfista que busca sublimar os valores em que acredita. E cuja abertura de
espírito baseia-se em valores universais.
No percurso que realizou
para ser quem é atualmente, Eddie Vedder passou por várias fases
distintas. No pico do sucesso reagiu com violência à fama súbita, mas após
muitos episódios as mudanças no seu comportamento e atitude não modificaram o
essencial. Qual é o verdadeiro Eddie Vedder? O cantor eufórico que subia
estruturas de palcos recusava a fazer discos teleguiados, lançava furiosos
ataques contra o Ticket Master, provocava George W. Bush e proferia inflamados
discursos contra a guerra? Ou a pessoa que apresenta canções intimistas sobre a
Natureza, o Mar, a sociedade e a paternidade apenas acompanhado com um ukulele(O ukulele é um instrumento
musical havaiano de cordas beliscadas, geralmente com 4 cordas
de tripa ou com materiais sintéticos como nylon, nylgut, fluorocarbono,
entre outros.) num palco? Entre um e outro vai uma grande distância, mas na
sua voz, letras e harmonias, a intenção permaneceu sempre a mesma: iluminar os
outros e transmitir emoções fortes.
No disco denominado
apenas Pearl Jam de 2006, que assinalou uma espécie de encontro do Pearl
Jam com as gerações mais novas, existe uma canção em que o cantor
aborda precisamente o trabalho interior que realizou e como optou por
manter-se fiel a si próprio durante as suas lutas pessoais. Curiosamente, essa
é uma das raras músicas dos Pearl Jam cuja letra não é assinada
por Eddie Vedder, mas sim pelo guitarrista Mike McCready. Seja
como for, considero que, além de uma bela música, esta é uma das letras
mais introspectivas alguma vez cantadas por Eddie Vedder.
As letras que canta as
fortes convicções pessoais, sociais, artísticas e políticas que emanam do
repertório de Eddie Vedder, talvez as músicas cantadas pelo vocalista não
fossem tão influentes hoje em dia. Mas, sobretudo, sem a mensagem realista e
positiva de certa forma de viver que encaixa na perfeição com a sua voz poderosa, Eddie
Vedder não seria alvo de admiração de muitos e considerado um dos mais
admiráveis cantores da história da música.

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