Banda Larga no Brasil
O pior serviço, pelo maior preço;
Estudos
divulgados nesta semana pela União Internacional das Telecomunicações (UIT),
órgão ligado à Organização das Nações Unidas (ONU), confirma a internet no
Brasil é lenta, cara e de péssima qualidade.
O
alto custo é o principal fator que inibe uma maior expansão da internet de
banda larga no Brasil. O levantamento da UIT também aborda as diferenças de
velocidade entre vários países. Por exemplo, na Coreia do Sul, onde 40% da
população tem acesso à internet, todas as conexões oferecem velocidades maiores
que 10 Mbps. Já no Brasil, metade das conexões à internet situa-se entre 256
Kbps e 2 Mbps. Nos EUA, a Federal Communications Commission (FCC, a agência de
regulação da comunicação) defende que o conceito de “internet banda larga” seja
aplicado apenas para velocidades superiores a 25 Mbps, em respeito ao
consumidor.
A
pesquisa apresenta outros dados que confirmam a recente revolução informacional
no planeta. Nos últimos 15 anos, o número de usuários de internet passou de 400
milhões para 3,2 bilhões, sendo que 2 bilhões dos atuais usuários estão nos
"países emergentes". Para a UIT, estes números mostram que "as
tecnologias da informação e comunicação têm crescido de uma forma sem
precedentes, proporcionando grandes oportunidades para o desenvolvimento social
e econômico". Ao mesmo tempo, o órgão adverte que, a maior parte da
população mundial – estimada em 7,2 bilhões de habitantes – não tem acesso à
internet. No planeta, são quase 4 bilhões de "pessoas offline". Há um
enorme abismo entre os países ricos e pobres em relação ao acesso à rede. Nos
países desenvolvidos, 89% da população acessa a internet. Já nos países menos
desenvolvidos, esse percentual não chega a 10%. De uma população de 940 milhões
de pessoas nos países mais pobres, apenas 89 milhões possuem algum tipo de
conexão com a internet.
Ainda
de acordo com o levantamento, o acesso móvel à internet é o que vem crescendo
em maior velocidade. Em 2000, em todo o mundo havia 738 milhões de assinaturas
com esse tipo de conexão. Ao fim de 2018 serão mais de 7 bilhões, estima o
órgão da ONU.
Em
entrevista ao Estadão, o secretário-geral da UIT, Houlin Zhao, observou que
“esses novos dados não apenas mostram o rápido progresso tecnológico feito até
agora, mas também nos ajudam a identificar quais processos estão sendo deixados
de lado na rápida evolução da economia digital, assim como as áreas em que os
investimentos das tecnologias de comunicação e informação são mais
necessários”. O jornal também abriu espaço para o Sindicato Nacional das Empresas
de Telefonia (Tele Brasil), que reúne as ambiciosas empresas privadas do setor
– a maioria, multinacionais. No maior cinismo, a entidade patronal
"questionou os dados da UIT".
Há
muito tempo que a campanha "Banda Larga é um Direito Seu", que reúne
mais 60 entidades da sociedade civil – entre elas, o Centro de Estudos Barão de
Itararé o qual, critica o governo e as empresas privadas pela internet cara, lenta e
de péssima qualidade.
Banda larga fixa: pior
serviço
O levantamento constatou que
a banda larga fixa é o pior serviço de telecomunicação do Brasil, de acordo com
a percepção dos clientes. A Internet por cabo está atrás da telefonia móvel pré
(6,83) e pós-paga (6,99), telefonia fixa (6,92) e TV por assinatura (6,93). Dos
serviços.
Saldo positivo
A Vivo e Oi foram as únicas
operadoras de banda larga fixa que tiveram saldo positivo em 2017 com relação a 2016. A
Vivo teve um aumento um pouco mais expressivo, passando de 6,13 para 6,38, um
acréscimo 0,25 pontos – foi a única que melhorou em todos os indicativos. Já Oi
teve 0,5 pontos a mais no nível de satisfação geral, a média entre todos os
quesitos avaliados.
Maiores quedas
A Sercomtel e a Sky tiveram
as maiores quedas no nível de satisfação geral. A Sercomtel diminuiu 0,71
pontos em relação a 2016. Já a Sky teve 0,43 pontos a menos.
A Sky, que disponibiliza
Internet por cabo através da rede 4G, ficou na última posição em quase todos os
estados onde atua. Apenas no Ceará a Oi teve uma avaliação pior.
Por estado
O levantamento também fez um
recorte que separou as melhores operadoras de cada estado, de acordo com os
próprios clientes. Confira na lista abaixo. Quando houver mais de uma opção, é
porque elas empataram em primeiro lugar pela margem de erro.
·
AC: NET (6,96)
·
AL: Vivo (7) e NET (6,83)
·
AM: NET (6,63)e Oi (6,33)
·
AP: Oi (5,99)
·
BA: NET (6,6)
·
CE: Brisanet (7,24)
·
DF: Vivo (6,45) e NET (6,32)
·
ES: NET (6,58), Oi (6,28) e Vivo (6,23)
·
GO: Vivo (6,23) e NET (6,16)
·
MA: NET (7,45)
·
MG: NET (6,38) , Algar (6,35) e Vivo
(6,33)
·
MS: NET (6,82)
·
MT: NET (6,88)
·
PA: NET (6,98)
·
PB: NET (6,75) e Vivo (6,66)
·
PE: NET (6,63) e Vivo (6,55)
·
PI: NET (7,2)
·
PR: Sercomtel (6,87), Vivo (6,52) e NET
(6,48)
·
RJ: TIM (7,71)
·
RN: Cabo Telecom (7,64)
·
RO: NET (6,88)
·
RR: Oi (5,68)
·
RS: NET (7,04)
·
SC: Vivo (6,71) e NET (6,61)
·
SE: NET (6,92) e Vivo (6,73)
·
SP: TIM (7,41)
·
TO: NET (7,05)
As melhores operadoras do
Brasil
As operadoras que atuam em
muitos estados tiveram notas mais baixas em relação aos provedores regionais. A
Cabo Telecom que atua apenas no Rio Grande do Norte ficou na primeira posição
no ranking. A Tim Live, presente apenas no Rio de Janeiro e São Paulo, ficou na
segunda colocação, com 7,54 de média. A medalha de bronze ficou com a Brisanet,
presentes apenas em dois estados do nordeste (CE e RN).
1. Cabo Telecom: 7,64
2.
TIM Live: 7,54
3.
Brisanet: 7,28
4.
Sercomtel: 6,87
5.
NET: 6,43
6.
Algar: 6,39
7.
Vivo: 6,38
8.
Oi: 5,67
9.
Sky: 5,38
Conclusão, a internet no Brasil ainda é uma das piores do mundo.

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